Além do Checklist: Por que a Convergência entre Compliance e Resiliência é a Pauta Estratégica de 2026
Introdução: O Custo da Fragilidade
Ao nos aproximarmos do final de 2025, uma reflexão crítica se impõe nas mesas de decisão: o que aprendemos com um ano marcado pelo rigor regulatório e pela sofisticação das ameaças? A resposta está nos números. Com o relatório da IBM indicando que o custo médio de uma violação de dados no Brasil saltou para R$ 7,19 milhões este ano, a segurança da informação deixou de ser uma despesa técnica para se tornar uma linha crítica de proteção de valor.
Na Netconsulting , observamos uma mudança de paradigma fundamental. O Compliance, antes visto como um mal necessário ou um “checklist” burocrático, revelou-se o principal arquiteto da Resiliência Digital. Não se trata mais apenas de evitar sanções da ANPD; trata-se de garantir que a operação continue de pé quando — e não se — a crise chegar.
O Novo “Padrão Ouro”: Governar para Resistir
O ano de 2025 consolidou globalmente o NIST Cybersecurity Framework 2.0 e a plena vigência do DORA (Digital Operational Resilience Act) na Europa. O que esses movimentos têm em comum? Ambos deslocaram o foco da proteção perimetral para a Governança e Recuperação.
O NIST 2.0, ao introduzir a função “GOVERN”, enviou um recado direto aos C-Levels: a responsabilidade pela gestão do risco cibernético é indelegável. Não é mais um problema exclusivo da TI; é uma questão de continuidade de negócios. O DORA, por sua vez, impactou diversas empresas brasileiras conectadas a cadeias globais, exigindo provas cabais de que a organização consegue operar sob estresse.
A Abordagem “Taylor-Made”: O Tripé PPT na Prática
Não existe “bala de prata” em cibersegurança. Cada organização possui um DNA único, e tentar aplicar frameworks de prateleira sem adaptação é uma receita para o fracasso. A construção de uma verdadeira ciber resiliência exige o equilíbrio fino do que chamamos de framework PPT (Pessoas, Processos e Tecnologia):
- Pessoas (O Fator Humano como Escudo, não Falha): O Gartner alertou fortemente este ano sobre o esgotamento das equipes de defesa. Resiliência exige uma cultura onde o compliance é compreendido, não imposto. Se seus colaboradores veem a segurança como um obstáculo, você não tem resiliência, tem apenas atrito. É preciso investir em “conscientização estratégica”, transformando cada funcionário em um sensor ativo de riscos.
- Processos (Do Papel para a Realidade): Ter um Plano de Resposta a Incidentes para apresentar à auditoria é fácil. Ter um processo testado, simulado e vivo é outra história. A conformidade exige a existência do processo; a resiliência exige a sua eficácia. Processos robustos são aqueles que nascem de um BIA (Business Impact Analysis) bem feito. Se você não sabe o que é crítico para o seu negócio, você está protegendo tudo e, consequentemente, não está protegendo nada.
- Tecnologia (A Ferramenta Certa, com Governança): Um dado alarmante de 2025 é que 87% das empresas brasileiras ainda carecem de políticas claras de governança de IA, apesar da adoção acelerada. Adquirir a tecnologia mais moderna sem a governança adequada apenas acelera o desastre. A tecnologia deve servir para automatizar a evidência da conformidade e permitir uma visão em tempo real da exposição ao risco (CTEM), e não para criar novas caixas pretas dentro da organização.
O Papel da Liderança em 2026
A ANPD sinalizou o fim da “fase pedagógica”. A fiscalização está ativa e as multas são reais, especialmente em setores sensíveis como Saúde e Finanças. Contudo, o medo da multa é o pior motivador possível.
O verdadeiro líder entende que Compliance e Resiliência são faces da mesma moeda. O Compliance fornece o mapa (os padrões, as leis, os frameworks); a Resiliência é a capacidade de navegar por esse mapa mesmo durante a tempestade.
Na Netconsulting, acreditamos que a jornada para uma empresa mais forte começa com transparência e pragmatismo. Comece pelo básico bem feito: revise seu BIA, avalie a maturidade dos seus processos atuais frente ao NIST 2.0 e garanta que sua tecnologia esteja servindo às pessoas, e não o contrário. 2026 exigirá organizações que não apenas sobrevivam aos ataques, mas que saiam deles mais maduras. Sua empresa está pronta?


