O Estado Entrou no Jogo: A Nova Realidade da Cibersegurança no Brasil em 2026
Estamos operando sob novas regras. Se até o início de 2025 a cibersegurança no Brasil era pautada majoritariamente por autorregulação setorial e boas práticas voluntárias, o cenário em janeiro de 2026 é radicalmente distinto. Com a consolidação dos Decretos nº 12.573 e nº 12.572, assinados em agosto passado, o Estado brasileiro assumiu definitivamente seu papel de indutor e regulador central, elevando a segurança cibernética ao status de Segurança Nacional.
Para líderes empresariais (CEOs, CISOs, DPOs), essa mudança de postura do governo federal sinaliza o fim da era da conformidade “de fachada”. A Estratégia Nacional de Cibersegurança (E-Ciber) já está em vigor, e seus desdobramentos táticos começam a impactar diretamente o ambiente de negócios neste ano.
Não se trata mais apenas de proteger dados; trata-se de garantir a continuidade da nação e, por extensão, do seu negócio.
A Visão do Estado: De “Defesa” para “Resiliência”
A grande virada de chave que observamos nos últimos seis meses é a mudança semântica e prática do termo “Cibersegurança” para “Ciber Resiliência”. O governo, através do CNCiber (Comitê Nacional de Cibersegurança), compreendeu uma verdade que nós, na Netconsulting, defendemos há anos: o ataque é uma questão de “quando”, e não de “se”.
O Brasil fechou 2025 consolidado como o segundo maior alvo de ataques cibernéticos do mundo. Diante disso, a preocupação estatal não é apenas blindar o perímetro, mas garantir que infraestruturas críticas e serviços essenciais tenham capacidade de recuperação rápida. Para o setor privado, a mensagem é direta: sua empresa precisa provar que consegue “aguentar o golpe” e continuar operando.
O Framework PPT na Nova Regulação
Analiso este cenário sob a ótica do nosso framework essencial — Pessoas, Processos e Tecnologia. A nova regulação toca nestes três pontos de forma interdependente:
* Tecnologia com Propósito e Soberania: Há uma projeção de mercado (Brasscom) de que o Brasil investirá mais de R$ 100 bilhões no setor até 2028. Contudo, encher o data center de ferramentas desconexas não resolve o problema. A nova política de segurança da informação (PNSI) exige visibilidade e controle. O Estado está focado em “Soberania Digital”, o que pressiona as empresas a adotarem arquiteturas auditáveis, como o modelo *Zero Trust*, onde a confiança nunca é implícita, independentemente da origem da tecnologia.
* Processos e Governança: Este é o ponto de maior dor para 2026. A exigência de governança corporativa de dados endureceu. Não adianta ter a melhor ferramenta se o processo falha. Uma abordagem baseada em BIA (Business Impact Analysis) torna-se mandatória. Você precisa saber qual processo de negócio não pode parar e direcionar a proteção para ele. O governo fará isso com serviços essenciais; sua empresa deve fazer o mesmo com seus ativos críticos.
* Pessoas e Cultura: O decreto da E-Ciber é explícito sobre a criação de uma “cultura de cibersegurança”. O fator humano continua sendo o elo mais forte ou o mais frágil. Com o déficit de profissionais ainda agudo em 2026, a tecnologia deve servir para automatizar o básico e permitir que a inteligência humana foque na estratégia e na análise de riscos complexos.
Uma Abordagem “Taylor-Made” para a Conformidade
Cada organização possui um DNA distinto e, consequentemente, uma superfície de ataque única. Tentar aplicar uma “receita de bolo” para se adequar às novas exigências estatais é um erro estratégico que custa caro.
A conformidade com a E-Ciber e a PNSI não deve ser vista como um fardo burocrático, mas como uma oportunidade de rever a maturidade do negócio. Na Netconsulting, acreditamos que a resposta está em soluções personalizadas (Taylor-Made). Seja através da implementação de metodologias robustas como o CIAMS (nossa metodologia própria) ou da arquitetura SASE para proteger o trabalho híbrido, o objetivo final é o mesmo: transformar a segurança em um habilitador de negócios, não em um freio.
O Que Esperar de 2026?
Estamos no ano da operacionalização. Os Grupos de Trabalho do governo estão finalizando o detalhamento do Plano Nacional de Cibersegurança (P-Ciber) para o ciclo 2026-2027. A fiscalização será baseada em resultados e em evidências de resiliência.
Minha recomendação para os executivos é pragmática: antecipem-se. Revisem seus Planos de Continuidade de Negócios, invistam na conscientização real de seus times e, acima de tudo, integrem a cibersegurança à estratégia macro da empresa. O Estado já fez a parte dele ao elevar a régua. Agora, cabe a nós garantir que nossas empresas estejam à altura desse novo padrão.


