Cibersegurança e LGPD como estratégia para o RH

RH e Cibersegurança

Falar sobre cibergurança tem sido cada vez mais comum no RH. Firewalls, antivírus, backups e sistemas complexos pareciam suficientes para manter a empresa segura. Esse cenário mudou. Hoje, boa parte dos incidentes de segurança começa com pessoas, processos e rotinas que passam diretamente pelo RH.

Para profissionais de Recursos Humanos, entender o papel estratégico da cibersegurança deixou de ser opcional. A área lida diariamente com dados sensíveis, influencia o comportamento dos colaboradores e participa ativamente da construção da cultura organizacional. Ignorar esse tema é assumir riscos jurídicos, financeiros e reputacionais.

Proteção de dados de funcionários: um ativo crítico sob responsabilidade do RH

Folhas de pagamento, documentos pessoais, dados bancários, informações médicas, avaliações de desempenho, registros de ponto e a importância de seguir a LGPD. O RH é o guardião de um dos conjuntos de dados mais sensíveis da empresa.

Vazamentos envolvendo dados de funcionários não geram apenas multas ou sanções regulatórias. Eles afetam diretamente a confiança interna, o clima organizacional e a imagem da empresa como empregadora. Em um mercado cada vez mais atento à privacidade, esse tipo de falha pesa inclusive em processos de atração e retenção de talentos.

Cabe ao RH garantir que existam políticas claras de acesso à informação, critérios bem definidos sobre quem pode visualizar, editar ou compartilhar dados, além de participar da escolha e da avaliação de sistemas que armazenam informações sensíveis.

Consciência de segurança e LGPD: o treinamento que reduz riscos reais

A maioria dos ataques bem-sucedidos não explora falhas tecnológicas sofisticadas. Explora pessoas. Phishing, engenharia social, uso de senhas fracas, compartilhamento indevido de informações e descuido com dispositivos continuam sendo portas abertas para incidentes.

É aqui que o RH se torna protagonista. Programas de treinamento em conscientização de segurança são mais eficazes quando estão integrados à cultura da empresa, e não tratados como uma obrigação pontualO RH pode estruturar jornadas contínuas de aprendizado, incluir o tema nos processos de onboarding, reciclar conteúdos ao longo do ano e adaptar a linguagem para diferentes perfis de colaboradores. Segurança da informação precisa ser compreendida.

Treinamentos bem desenhados reduzem incidentes, aumentam a percepção de responsabilidade individual e ajudam a criar um ambiente onde os colaboradores sabem reconhecer riscos e agir corretamente.

Cultura organizacional e comportamento digital

Políticas de segurança só funcionam quando são praticáveis. Quando regras são excessivamente rígidas ou desconectadas da rotina real, elas tendem a ser ignoradas.

O RH tem visão privilegiada sobre comportamento, engajamento e aderência a processos. Essa visão é essencial para construir políticas de cibersegurança que façam sentido no dia a dia. Isso inclui desde o uso de dispositivos pessoais até o trabalho remoto, o acesso a sistemas fora do horário comercial e a gestão de terceiros.

Mais do que impor regras, o papel do RH é ajudar a transformar segurança em valor organizacional. Quando os colaboradores entendem o porquê das medidas, a adesão aumenta e o risco diminui.

RH como ponte entre pessoas, liderança e tecnologia

Outro ponto crítico é a comunicação. Em situações de incidente, vazamento ou tentativa de ataque, o RH participa diretamente da gestão da crise. Comunicação interna clara, alinhamento com lideranças e orientação adequada aos colaboradores fazem diferença na contenção de danos.

Além disso, o RH tem papel ativo na definição de responsabilidades. Quem responde pelo quê? Como agir diante de um incidente? Quais canais devem ser usados? Essas respostas não podem surgir no meio da crise.

Quando RH, TI e liderança executiva trabalham de forma integrada, a empresa ganha maturidade em cybersegurança e reduz significativamente sua exposição a riscos.

Cibersegurança também é gestão de pessoas

Para o RH, cibersegurança não é apenas tecnologia. É governança, comportamento, cultura e responsabilidade compartilhada. Envolve processos de admissão, desligamento, treinamento, comunicação e liderança.

Empresas que tratam o tema de forma madura entendem que segurança começa nas pessoas e termina na estratégia. Ignorar o papel do RH nesse processo é comprometer toda a estrutura de proteção.

No cenário atual, profissionais de Recursos Humanos que dominam esse tema deixam de ser apenas executores de processos e passam a atuar como agentes estratégicos de proteção, confiança e sustentabilidade do negócio.

author avatar
Cristina Holanda