LGPD no RH: o custo invisível da falta de governança de dados nas empresas

Você confia que os dados dos seus colaboradores estão realmente protegidos?

Folha de pagamento, exames admissionais, informações de saúde, dados bancários, dependentes, avaliações de desempenho, currículos arquivados há anos. O RH é, hoje, uma das áreas que mais concentra dados sensíveis dentro de uma organização.

E é justamente por isso que a LGPD no RH deixou de ser um tema jurídico e passou a ser uma questão estratégica.

A falta de governança de dados nessa área não gera apenas risco regulatório. Ela pode comprometer reputação, gerar processos trabalhistas, multas milionárias e até inviabilizar operações.

RH e dados sensíveis: onde mora o risco

A Lei Geral de Proteção de Dados classifica como sensíveis informações como dados de saúde, origem racial, filiação sindical, convicções religiosas, biometria e dados genéticos.

O RH lida com tudo isso diariamente.

O problema começa quando:

  • Currículos são armazenados indefinidamente sem base legal.

  • Dados médicos são compartilhados sem critérios claros.

  • Planilhas de folha circulam por e-mail.

  • Plataformas de recrutamento utilizam critérios automatizados sem transparência.

O princípio da necessidade da LGPD é claro: só se deve coletar o mínimo necessário para a finalidade informada. Coleta excessiva é infração.

E infração tem consequência.

Multas, bloqueio de dados e explosão de processos

A LGPD prevê multas de até 2% do faturamento da empresa, limitadas a R$ 50 milhões por infração. Além disso, a ANPD pode determinar bloqueio ou eliminação de dados e divulgar publicamente a infração.

Mas o impacto não para na esfera administrativa.

Nos últimos anos, o volume de decisões judiciais envolvendo LGPD praticamente dobrou. Casos trabalhistas passaram a incluir pedidos de indenização por:

  • Vazamento de dados de funcionários.

  • Uso indevido de informações pessoais.

  • Monitoramento excessivo.

  • Decisões automatizadas sem transparência.

Empresas já foram condenadas a pagar indenizações por dano moral que ultrapassam R$ 50 mil por ocorrência.

Agora multiplique isso por dezenas ou centenas de colaboradores.

O novo risco: People Analytics e decisões automatizadas

Ferramentas de People Analytics e inteligência artificial estão sendo adotadas no recrutamento e gestão de desempenho.

O que poucos líderes consideram é que algoritmos podem reproduzir vieses históricos. Sistemas automatizados podem favorecer determinados perfis e prejudicar outros sem que o RH perceba.

A LGPD garante ao titular o direito de revisar decisões tomadas exclusivamente por meios automatizados.

Sem governança clara, a empresa pode enfrentar alegações de discriminação algorítmica, violação de privacidade e tratamento irregular de dados sensíveis.

Não é mais apenas uma questão de eficiência e sim uma questão de responsabilidade jurídica.

O impacto financeiro real

O custo médio de um vazamento de dados no Brasil já ultrapassa R$ 7 milhões.

Esse valor inclui:

  • Honorários jurídicos.

  • Indenizações.

  • Interrupção operacional.

  • Perda de contratos.

  • Danos reputacionais.

E no RH, o dano é ainda mais profundo: perda de confiança interna.

Quando colaboradores percebem que seus dados não estão protegidos, o clima organizacional deteriora. A marca empregadora sofre. A retenção de talentos cai.

Governança de dados no RH não é opcional

Implementar proteção de dados de colaboradores exige ação coordenada entre RH, jurídico e TI.

Alguns pilares essenciais:

  • Mapeamento completo dos dados tratados.

  • Revisão de bases legais e termos de consentimento.

  • Controle de acesso e criptografia.

  • Política clara para retenção e descarte de currículos.

  • Diretrizes éticas para uso de IA no recrutamento.

  • Treinamento contínuo das equipes.

A pergunta não é se a organização será fiscalizada ou acionada judicialmente. A pergunta é: quando isso acontecer, ela conseguirá provar conformidade?

Empresas que tratam a LGPD como parte da estratégia de gestão de pessoas transformam risco em vantagem competitiva.

As que ignoram, pagam financeiramente, juridicamente e reputacionalmente.

E no cenário atual, esse é um custo alto demais para assumir.

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Cristina Holanda